O Salvador, da Pátria

Não. Ainda não morri. Ainda por cá ando, mas cada vez tenho mais a certeza que devo ter estacionado a minha nave por aí algures, não me lembro muito bem onde. Depois de ter terminado agora o meu “shot” mensal de noites e de ter tido uns dias razoavelmente bons para esquecer, o dia 13 de Maio transformou—se, de repente, num dia para não esquecer.

Sou católica. Pouco praticante nos últimos anos, mas crente, duma forma talvez um pouco diferente do comum dos católicos ( embora goste de rituais, alguns dos rituais católicos, especialmente todos aqueles que podem ser alterados através de bula papal, interferem—me com a credibilidade. Gosto pouco da acção do homem sobre o divino) . A minha fé não se abalou com o meu divórcio mas a verdade é que tive que reposicionar internamente todos os meus valores perante o facto consumado. A acrescentar a isto, Bento XVI não se enquadrou nunca na minha visão da Igreja. Achei que o “meu papa” iria ser, para sempre, João Paulo II. Vê—lo numa das suas visitas a Portugal foi a primeira experiência real que tive de multidões e foi nesse dia que descobri que por mais cosmopolita que viesse a ser a minha costela de “galinha do campo” jamais me iria abandonar. Desde esse dia que detesto grandes “ajuntamentos” e só adiro a eles quando sei que o prazer que me dará ir a um lugar com muita gente será sempre maior do que o desconforto da multidão. Quando o papa Francisco se sentou na cadeira de Pedro reposicionei a ordem das coisas. João Paulo II será sempre o papa da juventude, um peregrino por natureza, o humanizador da instituição católica, mas o papa Francisco não lhe fica atrás, com a especial bênção de compreender as mulheres, a sua luta na defesa dos filhos, um humanizador natural, a tentar reconciliar novamente a sua Igreja, que são as pessoas, com o Deus amor, o Deus caridade, o Deus simplicidade; a Boa Nova que Jesus nos trouxe: ” Ama o teu próximo como a ti mesmo” — a mais difícil das missões dos católicos no mundo e ainda assim o princípio de todas as coisas, a base do Amor. Deus é amor e não castigo mas a justiça divina é difícil de entender aos nossos olhos míopes.

Confessei à minha mãe que, pela primeira vez em muitos anos, tive pena de não o ir ouvir, tive pena que não viesse a Lisboa ou mais próximo para o poder ouvir. Na realidade não gosto de Fátima em dias de peregrinação, prefiro a Fátima dos dias anónimos e do silêncio junto à capela. Coisas minhas, devota de nossa senhora desde pequenina.

Não foi por acaso que os meus filhos foram ambos baptizados a 8 de Dezembro e consagrados a Nossa Senhora. Talvez a minha maior falha como mãe tenha sido não lhes dar a educação católica que tive, mas a fé é uma coisa muito íntima e acredito que se ouvirem o chamamento a espiritualidade que lhes transmito será suficiente para lhes abrir as portas. Mais do que ser católicos praticantes preocupo—me que sejam justos e que se saibam sempre colocar no lugar do outro e ama—lo tal como é.

O papa Francisco esteve em Fátima na canonização dos pastorinhos ( já agora, para quem não sabe, sou Lúcia por causa da irmã Lúcia, embora raramente utilize esse nome) e eu devo ter sido a única pessoa neste país que não o viu em terras Lusas. A minha relação com a televisão está cada dia mais difícil e acabei por ler a homilia através da Internet ( as maravilhas da tecnologia). Simples e sóbria, a apelar ao essencial, não esperaria melhor de Francisco.

… porque a minha relação com a televisão vai de mal a pior devo também ter sido a única portuguesa que nunca tinha visto ou ouvido Salvador Sobral até saber que tinha ganho a Eurovisão. Já sabia que ele existia e também sabia que era irmão da Luísa Sobral, mas como não sou grande fã da sua voz ( o que interfere bastante com a minha capacidade de ouvir a sua música mesmo quando gosto da canção) não tive grande curiosidade. Para além disso o barulho de fundo que se criou à volta da canção foi o suficiente para não ter mesmo curiosidade nenhuma. Até ontem à noite. E de repente dei comigo a procurar a música no YouTube e a abrir a boca de espanto quando o ouvi. Fascinante! O fenómeno de identificação é muito curioso e depois de ter visto a entrevista dele no Alta definição, no Facebook ( sempre em alto nível aquelas entrevistas) pensei para comigo: afinal não sou a única extraterrestre neste país ( com excepção do uso das redes sociais, que por vezes me obrigo a largar por uns tempos para me recentrar internamente, quase tudo o que ele referiu me soube a identificação). Embora não sofra de algo tão urgente, saber que à partida o futuro não será o que se sonhou dá—nos uma necessidade de momentos de quebra para sabermos o tamanho da nossa força. Parabéns Salvador, Portugal não sei, mas tu merecias este prémio. Estarei por cá para seguir a tua carreira.

Quanto ao Benfica…é só mais do mesmo…

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