Manter o espírito jovem 

Tenho andado com aquilo que se chama vulgarmente de grande “cabeção”. Não sei se é do tempo, se da rinite alérgica, se da mania que tenho de passar temporadas em que me esqueço que tenho que usar os óculos para ler, conduzir e olhar para os ecrãs. A verdade é que nos últimos dias a sensação que tenho é que ando constantemente com um cântaro de água na cabeça, que me pesa. Se calhar são os ditos 40 que tudo trazem. A menos de um mês de lá entrar, estou a preparar-me para ultrapassar a barreira dos 40 à velocidade da luz. A preparação psicológica está feita, na medida em que percebi que fisicamente a coisa já não é o que era. Tenho dias em que parece que não posso com “uma gata pelo rabo”, canso-me por tudo e por nada, o que me leva à conclusão que tabaco tem que ser muito menos. As dores chegaram bem antes dos 40, suficientemente antes para já me ter habituado a elas, embora o cabeção dos últimos dias tenha vindo acompanhado do dedo “maroto” que teima em não dobrar, edemacia até ficar com o tamanho de dois dedos e doi como se não houvesse amanhã e temos a novidade do joelho que não gostou nada de ter ido ver o Virgul à Santiagro e desde aí só quer é estar quieto. A juntar a estas maleitas, o pagode do fim de semana de feira e o pouco sono, fez uma mistura bombástica a nível corporal que suspeito me vai atrasar ainda mais o término de uns trabalhitos manuais que ando a fazer aqui por casa. 

Das coisas boas que se podem fazer quando a cabeça não tem juízo (e o corpo é que paga) é ler. Já terminei a Viúva Negra, do Daniel Silva, que aconselho a lerem, e vou começar a tentação de D Fernando, um romance histórico, um género muito ao meu gosto. Espero que valha a pena. O objectivo a que me propus, no desafio do goodreads, foram 12 ivros em 12 meses e já estou atrasada. 

Fora a abençoada normalidade do dia a dia, tudo vai bem e a casa continua a confusão que se quer num lugar onde se vive. A Zita continua a não perceber muito bem onde se devem fazer as necessidades fisiológicas e a assombrar a vida do Lucky, que tem uma paciência do tamanho do mundo para esta cadela de bolso movida a energia atómica. Sempre foi um gato que nunca gostou muito de alturas e agora passa metade dos dias em cima dos móveis se quer ter algum descanso. A Benedita foi bem mais inteligente. Deu-lhe umas safanadas valentes logo nos dias em que a Zita chegou e foi o suficiente para que ela, agora, quase que a venere. Até à hora da refeição a Zita só se aproxima da comida depois da Benedita dar permissão. É muito engraçado observar as relações de poder e interacção entre os animais, que acabam por definir a hierarquia da casa. Às vezes penso que nós, humanos, não somos muito diferentes na forma como gerimos as nossas relações e quando somos as coisas não correm muito bem. É sempre bom sabermos o nosso lugar, onde e quando e como dizer o quê e saber impor distâncias. Não é fácil viver em sociedade mas como humanos não devemos viver de outra forma. Precisamos dos outros e os outros precisam de nós, mesmo para coisas aparentemente sem importância nenhuma que depois descobrimos virem a ser vitais. 

Das coisas boas de trabalhar com tanta gente jovem, a parte de que mais gosto é a de poder continuar a pensar como se ainda não tivesse saído dos 20. Para mim isso é que realmente importa. Mais dor menos dor, mais preocupação menos preocupação, estar rodeada de espíritos jovens faz bem: mantem-nos actualizadas e permite trocas de experiências enriquecedoras para toda a gente. Este fim de semana tive direito a sessão fotográfica, quer acreditem ou não foi mais do que suficiente para me mimar o ego. Obrigada miúdas!