«Tradição, por Deus»


Sempre que, com desdém, se referem ao Halloween, dizendo-o importado das Américas, faço o meu melhor sorrizinho maléfico.
 Antes de continuar deixem-me dizer-vos que adoro o Halloween, embora tenha a perfeita noção que foi mais uma forma muito Americana de se comercializar um dia de festa popular ou de tradição. 

Qualquer um de nós sabe que a Península ibérica foi habitada pelos Celtas. Especialmente ao Norte de Portugal existem ainda muitas tradições que evocam a passagem desse povo pelas terras que hoje consideramos nossas. Ora o Halloween nada mais é do que o recordar da festa Celta que comemorava o fim da estação da luz. 

Se tivesse nascido noutra época provavelmente também teria destestado a apropriação que a Igreja Católica fez de todas as festas e comemorações pagãs incorporando-as nas suas próprias leis e regras. O pão por Deus, nada mais é do que uma alusão ao terramoto, no dia de todos os Santos ( o dia sagrado com que a Igreja apagou a tradição pagã). Os pobres, esfomeados, pediam o pão, por Deus. 

Já fui à maior festa Celta do nosso país, em Cidões, já lá voltei e voltaria sempre que pudesse. De lá trouxe amigos, fotografias fantásticas e uma revisitação maravilhosa às mais antigas tradições do nosso país. O norte conseguiu guardar ao longo de muitas vidas, o que de melhor e mais genuíno temos. Tal como a América se apropria das festas para proveito do seu Deus maior, o dinheiro, também a Igreja Católica o fez a muitas das tradições culturais mais antigas e genuínas, cortanto muitas vezes ( demasiadas até) a ligação do Homem à sua natureza, à terra e ao seu próprio corpo. 

Por isso, sempre que vos disserem que o Halloween não é português, lembrem-se que é a revisitação de uma festa Celta, esse povo que também deixou a sua marca no nosso país.