Por falar em perdidos

Perder algo, era coisa para me deixar com os neurónios às avessas, até me aperceber que o meu dia a dia se pauta por perdas e esquecimentos. 

Sou “uma distraída de bengala” e sempre que o meu pensamento vagueia é certo e sabido que fica alguma coisa para trás. Ao princípio irritava-me, mas o princípio já foi à tanto tempo que me obriguei a habituar-me a perder coisas. Umas mais importantes que outras é certo. O tempo que gastava a procurar coisas perdidas passei a poupa-lo e em última análise posso sempre dizer que fortaleci a minha fé. Acredito que se for para ser perdido, perdido está e se for para ser achado, se achará a seu tempo. Posso sempre acreditar também que algum bom motivo haverá para o desaparecimento acontecer e poupo ainda muitos momentos de irritação que não me favorecem em nada e ainda criam rugas ( sim, há que começar a pensar nestes “pequenos pormenores” já que dos cabelos brancos já não me safo) . 

A verdade é que perco mais facilmente umas coisas que outras, por exemplo: é raro saber onde deixei a caneta; o telemóvel fica inúmeras vezes a repousar na mesa de cabeceira; as chaves (do carro e da casa) são como o lencinho da botica ( lá vai, lá fica) ; sofro de uma falta crónica de isqueiro ( e às vezes do maço de tabaco) e já não consigo contar a quantidade de pares de óculos que perdi. 

A minha capacidade de concentração é quase idêntica à minha capacidade de distracção. É normal em mim, foi preciso aceitar isso e deixar de me irritar. 

Ainda assim já não me lembro há quanto tempo não perdia um livro ( bolas!) . Andava a ler o jogo das contas de vidro e se ao princípio foi difícil encontrar motivos de interesse nesta leitura, porque me escapava o sentido do livro, agora já estava interessada em saber o desfecho da estória. 

Contínuo a acreditar que tudo tem um motivo para acontecer e prefiro pensar que involuntariamente aderi ao corajoso movimento do bookcrossing ( corajoso porque se há coisa que detesto largar, essa coisa são os meus livros. Até a biblioteca é um movimento arrojado para mim porque o meu sentimento de posse exacerba-se quando a livros diz respeito) . De qualquer das formas espero que quem o encontre se delicie com ele. Terei que recorrer à biblioteca para acabar a minha leitura e no entretanto vou lendo os livros que tenho em lista de espera. Irritar-me por causa disso é que nem pensar, faz mal à pele e ao coração. 

converse connosco...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s