A beleza está em nós, a educação ao próximo, a great big world, filosofias existenciais, natural como só eu, palavras, receitas para viver melhor

O bambú e a importância das micro-florestas urbanas para o bem estar geral. 

A propósito deste post e do que está por trás dele lembrei-me que uma das minhas preocupações foi sempre tentar que certo saber não me passasse ao lado. Os saberes das tradições da família: aprendi a fazer linguiças, embora raramente participe porque nos dias de as fazer estou quase sempre a trabalhar e cada vez se vão fazendo menos porque o trabalho é muito e a “malta” com capacidade mantida e tempo livre vai sendo cada vez menos; da conserva necessária também sei a receita, o tempero, reconhecer os sinais de que está a carne e o fumeiro capaz. Pelo caminho ainda sei também benzer a carne, como fazia a minha avó, não vá o diabo tecê-las! Faltam sempre é as luas certas, que isto para tudo no campo é preciso saber a fase da lua. 

As benzeduras ficaram todas escritas, num livrinho, que a minha avó teve a paciência de mas ditar: do mau olhado, do nervo torcido, etc e tal. Os miolos com carne de porco, essa receita de que não há Bica que não goste, anda a sair-me torta ( neste caso mole) mas hei-de chegar ao ponto certo ( recuso-me a não aprender a fazer o prato de que gosto mais, aquele que era capaz de comer até cair para o lado e que vai sempre lembrar-me a minha infância). 

Admiro a capacidade que o meu pai tem de conhecer os pássaros pelo cantar, tenho pena de nunca vir a saber isso. Consigo apenas distinguir os mais fáceis à custa de tanto o ouvir ensinar-me. Recordo as vésperas dos dias de caça quando à tardinha, iamos ver os pombos “amalhar” para sabermos onde iriam dormir. Observávamos enormes bandos que escureciam manchas de céu e faziam um barulho inconfundível de bater de asas e resmalhar, ao pousarem nos pinheiros onde iriam pernoitar. Há anos que se não vêm bandos de pombos bravos daquelas dimensões mas sempre que os vejo no céu, em pequenos bandos, é já uma alegria para mim. Sei distinguir patos, pombos, e outras aves que voam em bandos no céu. Das árvores conheço as básicas, de entre as árvores de fruto, o sobreiro e a azinheira, distingo o pinheiro bravo do pinheiro manso, pouco mais. Quanto deste saber passarei aos meus filhos, não sei. Depende muito da vontade que tiverem de aprender. Há certas coisas que só o tempo nos ajuda a perceber a importância, é necessário é que essa percepção, não chegue tarde demais. 

Sou adepta do verde, da terra, do campo, da natureza. Tudo o que puder aprender com os mais velhos, e que não vem nos livros, é uma mais valia para mim. Nas muitas incursões na internet, à procura de ideias para plantar coisas em pequenos espaços, encontro várias vezes jardins de bambu. Acho lindos os bambus, aliás, acho lindos os jardins de inspiração Japonesa. 

Às vezes nas alturas em que menos esperamos a vida tem a capacidade de nos surpreender. A semana passada fui a Lisboa com a minha mãe a uma clinica perto dos jardins da Gulbenkian fazer um exame. Estacionei o carro do outro lado do jardim e atravessamos por dentro só porque tinha e mantenho a curiosidade de conhecer melhor aquele espaço. Qual não foi o meu espanto quando encontrei bambus, uma pequena floresta, linda. Nunca tinha visto bambus, plantados sem ser em vasos e maravilhei-me com a pequena descoberta. Fiquei a saber através da minha mãe, que no jardim existem exemplares de quase todas as espécies vegetais dos países por onde passaram os portugueses, o que me aguçou mais a curiosidade e a vontade de lá voltar. Continuo a achar que deveriam haver mais espaços destes nas cidades do nosso país. Conheço bem os jardins das cidades por onde passei e confesso que me preocupa esta modernidade da relva e dos arbustos de pedra onde as árvores de grande porte não têm lugar. Como podemos fortalecer a relação do ser humano com a natureza, se cada vez a afastamos mais? A contemplação do verde faz bem à saúde mental. 

Se calhar, vale a pena pensar nisto ( como diz o outro…) 

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