IRA

Dizem que foi em ’94. Não sei, nunca sei precisar bem o que aconteceu em que ano e tenho que ir buscar momentos marcantes, geralmente memórias que gostava de não ter, para precisar em que ano foi o quê. Pode bem ter sido em 94. Tenho várias memórias desses anos. Boas e más. É incrível como nos marcam mais as más memórias. Depois de identificada a má memória desse ano vêm a pouco e pouco, encadiadas umas nas outras, as memórias boas. Aconteceu isto, depois isto, depois aquilo…pumba até outra má recordação que marca outro salto qualitativo na forma de ver o mundo. 

“Ode to my family”, ” linger” e sem dúvida esta  

Sempre me identifiquei na raiva e dor que parecia passar naquela voz limpida. A melodia das canções, mesmo as mais calmas encontravam sempre uma forma de passar/transmitir esses sentimentos. Depois da música, de a tentar cantar da forma como ela as cantava a raiva acalmava. Uma forma criativa e terapêutica de passar sentimentos, que muitos utilizam como forma de escape em vez da violência. Ainda bem. A criatividade talvez seja também uma forma de se comunicar o que não se sabe dizer. Ela provavelmente nunca aprendeu outra forma. O ser humano é de facto um ser vivo muito complexo e muito mais carente do que a grande maioria sequer imagina. 

 

Alguém me diz o que se passou além do desporto, este fim de semana??? 

Empatámos, ganhámos e perdemos. Um fim de semana em que só me lembrei de casa para dormir. Um turbilhão de emoções e algum nervosismo à mistura. O único jogo que foi ganho foi o único em que não ficou claro o merecimento. 

Falo do “meu” HCPG, em séniores e escolares e dos sub-17 do grandolafoot. Bom, na verdade, já vi a equipa de futsal a jogar melhor mas também já os vi a ganhar com equipas que jogavam bem melhor. Isto para concluir que a vida é tramada, nem sempre nos dá o que merecemos e nem sempre merecemos o que nos é dado. Ainda assim à que vivê-la sem baixar os braços, sem desistir, sem nunca deixar de procurar, de insistir em procurar o que nos falta, o que nos faz falta

“… cada vez que o Homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança…”   António Gedeão

Terminámos o Domingo com vista para a Arrábida, cansados e pensativos ( à excepção do Afonso, claro, que pensa em voz alta e sempre com a turbina ligada. Ps: este miúdo ainda vai “arrumar” com o pouco que sobrou da minha energia! Alguém sabe de algum – bom – carregador de humanos???) . 

É bom ter um adolescente sereno em casa para contrastar com o excesso de energia do pré-adolescente. Talvez seja apenas mais uma forma que a natureza encontre para procurar o equilíbrio ( mais que não seja o meu) . 

E que “coisas femininas” fizeste tu este fim de semana, perguntam vocês? Bom, fui mãe e chegou para preencher todos os minutos dos dias.