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Reflexão sobre esquecimento e a falta de cuidados comigo

Apesar dos memos for self ontem estourei. Como já sou uma mulher grande ( só que não 🙄) ontem fiz a primeira toma de 1g inteirinha de metilprednisolona só para mim. 45 minutos ligada a uma seringa de perfusão contínua, a pensar na vidinha.

Isto de sermos profissionais e nos vermos do outro lado da barricada tem que se lhe diga. É sobretudo como profissional o momento em que me sinto mais burra, mas também um momento que aproveito para aprender. O que mais tenho aprendido nestas coisas é que a dor depende de facto de muitos factores: que uma picada umas vezes dói muito e outras não dói nada ( descansa Joana, portaste-te lindamente) e isso não tem a ver com o profissional mas com o estado de espirito ( tanto do profissional, como do doente) ; que uma perfusão se sente sempre e nos provoca sensações estranhas no corpo e que, para além de outras coisas é preciso parar para ouvir o nosso corpo.

Nada de especial, ou não expectável. O cansaço acumulou-se depois das festas, mas entra Janeiro e o horário foi bom. Apesar do cansaço mental, que me acompanha há muito tempo, umas vezes pior outras melhor, lá vou funcionando. Entra Fevereiro e até vou ter férias. Esqueci-me é que não podendo ir a grandes passeios, as férias serão passadas atrás das necessidades dos filhos. A medicação acabou, e o papel (que por falha na aplicação a última receita foi em papel) desapareceu ( papel, mas qual papel?) Procura aqui, procura ali, começo novamente a esquecer-me de tudo, as palavras a quererem sair e não sairem…mas funciono. Vai daí entram as diarreias em acção… tenho que ir comprar a medicação -hoje não porque vim tarde, amanhã porque tenho qualquer coisa importantíssima para fazer, e é a vez da cara rebentar por todos os lados. Mas são as dores que verdadeiramente me jogam ao chão. Aquela dor continua, incómoda, chata e persistente, que nem de pé nem sentada, nem de maneira nenhuma.

Como a depressão parece ter passado mais, a cama de facto não é a minha melhor companheira, até porque o meu verdadeiro sinal de alarme é a falta de sono. 4 dias sem conseguir dormir uma noite inteira são o suficiente para me deixar neste estado docinho. Com esta dose de corticóides ( vulgo cortisona) e ainda a dose de manutenção imagino as minhas glicemias nos próximos dias.

Agora nada a fazer para além de tentar manter uma alimentação de baixo índice glicémico e arranjar estratégias para não me esquecer mais da medicação ( casa de ferreiro especto de pau e, assumo, sou uma péssima doente!) . Beber muita, muita, muita água e rezar a todos os santos para que a medicação, daqui para a frente, me faça sempre mais bem do que mal.

Já fui à farmácia comprar uma caixa milagrosa, com outras tantas caixas dentro, tantas como os dias da semana, que posso levar individualmente quando vou trabalhar. Só tenho o trabalho de uma vez por semana distribuir a medicação pelos vários compartimentos que definem as varias horas diárias de medicação e esperar que resulte. Por agora restam-me os trabalhos domésticos, que são muitos e estão em atraso, o trabalho burocrático inerente à profissão de enfermeira, que também está em atraso e tem que ser feito porque o mundo não pára, e as necessidades dos miúdos, que parece que à medida que crescem vão sendo sempre mais.

Enfim, a “felicidade” da vida de uma enfermeira em estado puro. A dor ajuda a sentir que ainda estou viva, é a coisa mais positiva que tiro desta burrice, de me esquecer de tomar a medicação. Hoje é isto

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