a educação ao próximo, da nossa vida, filosofias existenciais, natural como só eu

Das inverdades que me lixam

Há muito tempo que não escrevo nada sério por aqui. Podia dizer que me deixei disso, a verdade é que não. Apenas me cansei de estar constantemente chateada. No entanto acho que este assunto merece toda a minha e consequentemente a vossa atenção.

Enquanto pensava no que vou escrever, preocupei-me em tornar isto o mais simples e curto que possa conseguir. Espero fazer passar a minha mensagem.

Por estes dias, nos grupos do facebook os meus colegas indignam-se com uma notícia do expresso onde sai este quadro da imagem

Aqui apresentam-se como verdadeiros os salários de várias carreiras, no privado e no estado, no início, no meio e no final da carreira. Começo já por referir várias coisas que me parecem importantes: Digo apresentam-se como verdadeiros porque tendo em conta os valores apresentados para a enfermagem, só posso supor que todos os outros estão também errados. E estão errados por um simples motivo: os jornalistas não sei se por negligência, se por incúria ou relativa preguiça, pegaram nos valores que estão em diário da República e colocaram-nos ali, como sendo verdadeiros. Esqueceram-se é de um princípio fundamental deste país que se aplica a tudo, até, pelos vistos, ao jornalismo: uma coisa é o que está escrito, outra coisa é a realidade. Não me alargo sobre os ordenados do privado, porque desconheço, mas espero, para bem dos meus colegas, que , ao menos esses, sejam verdadeiros.

Passo a explicar, utilizando para isso o caso dos professores, que é o que considero mais próximo do nosso.

Há pouco tempo, indignava-me com a luta dos professores, amigos e conhecidos ( conversa de facebook, já se sabe, e até conversa de café) . Não porque considere a luta deles injusta, mas porque considero que devemos ter uma visão abrangente da sociedade. A realidade é que não há, mesmo, dinheiro para tudo, sobretudo se nos deixamos enganar pelos políticos. Agora cai-me esta pérola no colo, para que possa explicar melhor o que queria dizer, naquela altura. Os professores exigem que lhes seja contado todo o tempo de serviço para que possam progredir. São os anos de progressão que nos dão a progressão na carreira e consequente o aumento de salário. A questão dos enfermeiros é, assim, muito simples de explicar. Os valores do meio da carreira são falsos porque não nos foram contados os anos de progressão. Eu, com 20 anos de carreira, com a progressão ” oferecida” pelo governo estarei a ganhar em Dezembro de 2019 à volta de 1400 euros. Qual é a diferença entre isso e aquilo que o expresso diz que eu ganho? Bom, uns 1000 euros, pouco mais ou menos dois ordenados mínimos. Entendem? A maior parte daquilo que vimos e ouvimos na televisão e nos jornais e até no diário da República é pura mentira porque simplesmente não se aplica, porque não, só por isso. Tendo em conta que a minha última progressão foi em 2005, e tal como todos os funcionários públicos vi a minha carreira congelada durante muito tempo, quando descongelou não foram contados os anos que ficaram para trás. Assim a suposta carreira de enfermagem é uma ilusão e nunca se irá aplicar a mim e aos colegas como eu que não viram os salários actualizados durante todos estes anos. Provavelmente acontecerá o mesmo com muitas outras carreiras da função pública. Se sou contra a luta dos professores? Nunca na vida. O que eu não gosto é que todos os que não são funcionários públicos encham a boca para falar de nós como um todo chupista, que adora não fazer nada, quando de facto não somos um todo, as carreiras não são nada daquilo que está escrito em diário da República e o estado não é uma pessoa de bem e não cumpre aquilo que legisla. O euro levou-nos à falência, diminuiu o nosso poder de compra e não permitiu que os salários evoluíssem do mesmo modo que os preços evoluíram.

Para além disso, os sucessivos governos, com a ajuda da falta de visão dos sindicatos e associações sindicais da sociedade como um todo, ainda nos colocam uns contra os outros porque enquanto nos apanham distraídos a lançar pedras para o quintal do vizinho, vão fazendo o que querem e bem entendem, com a cumplicidade de um jornalismo que não se inibe de lançar falsas verdades como se de realidade se tratasse.

Falava há poucos dias com o meu padrinho sobre a força de bloco, como forma de fazer pressão. Este é um conceito que ideologicamente se me estranha no pensamento. Olhando para tudo isto que vos apresento digo-vos que a força, agora me apercebo, não deve estar numa classe profissional ou noutra mas sim no nós contra eles, nós todos, que fomos e somos enganados, descaradamente ludibriados e roubados, contra todos aqueles que com o nosso mandato para organizarem e melhorarem o funcionamento da sociedade, se limitam a descaradamente não cumprir aquilo que querem exigir que nós cumpramos.

Ora, façam-me um favor e tenham vergonha na cara ( aplica-se isto também ao expresso que tem obrigação de cumprir a sua missão de informar e não fazer passar aquilo a que posso chamar sem medo: mentiras) . Reservo-me o direito de não acreditar em nada daquilo que me dizem, uma vez que dos assuntos que domino, sei que o mau serviço prestado é notório, o que me leva a crer que dos assuntos que não domino a incúria deve ser igual.

Não tenho qualquer pudor em informar que o meu salário do mês de Agosto que se refere às horas do mês de Julho, o mês de férias e portanto sem horas de qualidade, foi a maravilhosa quantia de 1148€ . Aí está o motivo porque trabalho tanto e não consigo, por vezes, chegar a todos os lugares onde deveria. Sem os turnos, a trabalhar de segunda a sexta das 9 às 5 o meu ordenado provavelmente não chegaria aos 1000€. Resta-me ainda dizer, em jeito de ironia ( claro) que ainda bem que não ganho os 2437 € que o expresso afirma que eu ganho ( tenho exactamente 20 anos de carreira comemorados a 17 de Agosto deste ano) porque senão ainda tinha que dar 25% ao estado ( e isto porque sou solteira com 2 dependentes, senão seria muito mais) . Ora façam um favor e não me lixem a inteligência…

E agora tomem lá música

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