O último parece que se tornou no melhor 

E quando damos por isso já é Dezembro. Sim, o tempo passa a correr e talvez por isso passemos a maior parte do tempo cansadas. Corremos com ele. 

Durante muito tempo foi o Verão a minha estação favorita mas desde que fui à neve desenvolvi uma paixão avassaladora pelos dias brancos. Era capaz de me sentir feliz num natal assim, cheio de neve. Por aqui neve nem vê-la. Sol, muito sol e algum frio ( a conta da electricidade vai começar a acusar a família friorenta que somos e a nossa necessidade imprescindível de um ambiente quentinho). A lareira passa o dia acesa quando estou em casa. Infelizmente Dezembro significa também, quase sempre, mais trabalho ( as pessoas têm este hábito de ficar mais doentes por esta altura, que se pode fazer?) . Assim sendo, férias nem vê-las. Terei a véspera e o dia de Natal,  para passar depois, o ano de serviço. 

Dezembro serve para ser feliz. É mais do que tudo um estado de espírito. O consumismo aliado à enorme vontade que tenho de estar em casa e fazer os preparativos. Casa decorada, muita luz a piscar por todo o lado, lareira acesa, velas e mais velas… sou, sem dúvida, feliz em Dezembro. 
Sou ainda mais feliz desde que o Pinterest anda a contribuir para dar largas à minha imaginação. Tenho duas mãos esquerdas, péssimo jeito para trabalhos manuais mas tenho vontade e gosto por inventar. Tenho poupado muito dinheiro em decoração com a ajuda do pinterest para além de reciclar coisas que o único destino seria o lixo. E pelo que dizem os meus filhos nem está a ficar mau de todo. Além disso, enquanto invento, sinto uma satisfação que já não sentia há muito tempo. Terapia ocupacional no seu melhor. Até já fui desencantar a máquina de costura ( é de rir) . 

Dezembro fecha as portas a um ano mas abre janelas para o que aí vêm. E nós por cá estamos 🎅. Até já tenho as prendas todas compradas, o que, tendo em conta que sou menina de véspera, me faz sentir bastante responsável ( quem diria que um dia ia mesmo ficar adulta!) 😂😂😂😉

A memória e os seus inúmeros problemas

Filha de professora primária diria que sempre fui muito chegada aos livros. Não só por todos aqueles motivos que os filhos de professores conseguem entender, mas que são difíceis de explicar, mas também porque de facto sempre gostei muito de ler. 

Embora sempre tenha gostado muito de possuir os meus próprios livros, as bibliotecas são sempre uma espécie de mundo novo para os amantes da leitura. A velhinha biblioteca da Gulbenkian, a funcionar no mesmo edifício onde funcionavam os serviços administrativos escolares onde a minha mãe se dirigia muitas vezes, tinha um cheiro muito particular:  uma mistura muito própria de cera de soalho de madeira, pó e papéis velhos, em proporções que criaram em mim uma memória olfactiva inesquecível. Nessa altura havia também a vertente itinerante de onde eu conseguia “sacar” banda desenhada sem ser demasiado assaltada pela lógica da minha mãe, que nunca foi grande fã de banda desenhada. 

Em ’89 ( foram uns anos tremendos de inovação para nós, esses anos: a Ludoteca, a Biblioteca, mais tarde as piscinas municipais) inaugura o edifício da biblioteca, novinho em folha, com livros e livros e livros, janelas enormes com muita luz, uma zona só dedicada aos mais novos, videoteca onde podíamos ver filmes, ouvir música e aquela “coisa” de não podermos fazer barulho, que nos dava ainda mais vontade de rir do que o normal…logo eu, que tenho um sorriso/riso bastante discreto. Inesquecíveis aquelas tardes de calor, numa casa fresquinha e a cheirar a livros novos. 

De tudo, o que guardo com mais carinho foram as horas que passei a ler os livros da Mafalda. Como já disse, em casa não havia grande espaço para a banda desenhada. Devorava “livros aos quadradinhos” do Walt Disney, nessa altura ainda só em versões da  Morumbi (se a memória não me falha era este o nome, depois Abril) num português do Brasil,  que me habituei a ouvir e ler desde os 6 anos ( os livros eram baratissimos, e era uma boa forma da minha mãe me calar por algum tempo – esperta ela!) Mas banda desenhada a sério, só quando abriu a biblioteca. Devorava os livros da Mafalda, lendo e relendo vezes sem conta para entender as piadas que me passavam ao lado ( eu sabia que estaria por ali algo irónico, só não conseguia entender o quê, algumas vezes) e os livros do Asterix, que sempre foram os meus favoritos. 

Com o crescimento veio a utilização do espaço para o estudo e para os trabalhos de grupo ( talvez não tanto como outros da minha geração porque o 10°, 11° e 12° anos foram passados a estudar fora, mas o suficiente para o local fazer parte da minha história pessoal) . Tal como eu, tal como a minha geração, todas as que vieram depois têm vida, dentro daquelas paredes. 

Guardo a descrição do local para quem tem sobre ele direitos  ( http://www.cm-grandola.pt/pages/564)

Eu percebo que o edifício necessite de melhoramentos. A vida mudou, o mundo mudou, as gerações mudaram e é necessário que as bibliotecas se adaptem, até pelo bem do livro, da leitura e dos miúdos que necessitamos incentivar. Nisso aplaudo de pé toda aquela equipa, que se tem renovado ao longo dos anos mas continua sempre com um trabalho de uma qualidade impressionante. Não esquecerei nunca o apoio e a motivação que me deram quando lancei o meu livro, um momento de deveria dizer agora que foi inesquecível, mas que infelizmente o meu terror por palcos me fez apagar da memória, tendo eu guardados apenas alguns flashes do momento ( toda a gente diz que foi bom, e essas memórias e carinhos guardo de coração cheio) 

O que eu não entendo é a necessidade de destruir para fazer de novo. Esta necessidade de alguns, de cortar com o passado para dar aspecto de moderno é desesperante. Talvez por isso, esta geração chamada “rasca” ( principalmente esta geração, os quarentões e trintões de hoje) se tenha movido para evitar que apaguem memórias que guardamos com carinho, que se apaguem memórias que fazem parte da história da nossa terra, mesmo que não a queiram considerar património histórico e cultural. Não, não é política, é lógica e bom senso: é um edifício típico, com uma utilização necessária ( diria essencial), não tem porquê destrui-lo. 

Este é o meu contributo para a causa. Ajudem-nos a sensibilizar os eleitos, com assento na assembleia municipal,  para que votem contra a destruição daquele edifício. Por favor partilhem e assinem a petição 

 http://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT87429

 E gostem da página no Facebook

  https://www.facebook.com/PreserveCasaBarahona/ 

Só todos juntos podemos fazer a diferença e nós não queremos que apaguem a nossa memória 

Obrigada! 

#PreserveCasaBarahona

 https://youtu.be/PBzehjB30to

O que me vale é o desporto, que já não tenho vontade para praticar…

Mais uma tarde de sábado, mais um jogo, mais uma Vitória, e é tão bom vê-los felizes. Ainda assim não ando a sentir-me muito capaz de enfrentar uma pré-adolescência que me parece ir ser bem mais difícil que a anterior – que por sorte já passou (é o que dá queixarmo-nos de barriga cheia, a vida acaba sempre por nos mostrar como estávamos erradas) . 

Que remédio, estas coisas não dão para rebobinar e é vivê-las com a fé que no final tudo irá correr pelo melhor, mesmo que agora, as dúvidas de como agir me poluam o pensamento. Não há receitas infalíveis e cada um é como é. É tentar seguir a intuição e o bom senso e não me deixar esgotar à partida, sabendo que esta maratona será bem mais dura do que a anterior. Não desesperar, faltam só mais ou menos 4 anos para isto passar mais, mas avizinha-se uma adolescência também difícil. Portanto, tenho com que me entreter até mais ou menos aos 50 anos…Lá se vão os maravilhosos anos de uma quarentona, pelo cano…😲😣😵😒😕