Do que a vida nos tira e do que a vida nos dá

É engraçado como nos vamos modificando ao longo da vida. No outro dia falava a minha irmã da sopa de ovo que não comemos ( e ainda bem!) desde que a minha avó morreu. A dita sopa, com espinafres e ovo a boiar, é das lembranças mais asquerosas que guardo da minha infância. 

Das poucas coisas de que não gostava ( sempre fui de boa boca) a dita sopa encabeça a lista das coisas de que não tenho saudades. 

No entanto, tudo muda, e os espinafres, de legume destestado, tornou-se num legume adorado. Com muita pena minha ainda não consegui encontrar um lugar apropriado para os plantar aqui no quintal. Embora nasçam, ficam tão enfezadinhos que não dão nem para sonhar com um esparregado – mal a mal uma sopita com cheiro de espinafres. 

Já as beldoregas no meu quintal, são mato. Não sou fã de açorda de beldoregas, mas na sopa são um espectáculo e desde que descobri que são ricas em omega 3 é deixa-las crescer. E crescem em tudo quanto é buraco até junto das flores do outro lado do quintal.

Do batatal em flor, passando pelo feijão verde, até às abóboras, melancieiras e tomateiros, há de tudo um pouco neste quintal. 

A quantidade é minima, é certo, mas o prazer que me dá andar por aqui a ver as coisas crescer é o suficiente para me manter firme nas plantações. Este ano vou experimentar a batata doce. Para ver se cresce. Sou tão teimosa que nunca desisto às primeiras. As ideias ficam em ruminaçäo, a digerir lentamente, até que encontre uma nova forma de fazer exactamente a mesma coisa e esperar os resultados. Foi assim que consegui ter, neste momento, 3 chuchus em crescimento, um batatal em flor e cenouras suficientes para fazer sopa. 

E se me dissessem, aqui à uns anos, que iria gostar tanto de plantar, provavelmente nem iria acreditar. 

Uma das coisas que me dá mais prazer é vir ao quintal apanhar as ervas aromáticas para o jantar e utilizar o que plantei para confeccionar as nossas refeições. Simples assim e tão gratificante.

 Às vezes as coisas são como são por motivos que só mais tarde viremos a compreender. E ainda bem. 

Sensação do dia (II)

Nascemos e crescemos num dos lugares mais pacíficos do mundo. 

…saibamos nós ser gratos por isso e nem precisamos ser campeões de coisa nenhuma. 

A felicidade fica sempre encaixada nas lembranças das pequenas coisas. 

Hoje foi um dia bom e reflexivo, só isso chega para me dar a paz que preciso. 

As fórmulas mágicas da felicidade 


Não sei se é dos quarenta. Afinal talvez estejamos mesmo num tempo de ternura, de dar ainda mais valor ao que é realmente importante. 

Chegaram-me de surpresa! A desculpa era que a Mónica tinha uma coisa muito importante para dizer. A caminho de outra cirurgia, que o Lupus deixou de lhe dar descanso há algum tempo, as conversas sérias da Mónica são para levar a sério. Marcou-se um jantar à pressa – pode ser cá em casa que eu até gosto de receber – quem vem e quem não pode vir – as do costume que se plantaram na terrinha e aqui crescem ( essencialmente para os lados) e se reproduzem – autênticas árvores, que pouco ou nada arrancam daqui desde que a crise se instalou nas carteiras – mais eu, vá, que entre os filhos, a profissão, o bornout e a economia, sobra pouco tempo e ainda menos vontade para grandes festanças ( cada vez me convenço mais que esta fórmula está errada em algum lado e ainda não consegui perceber onde. Esta matemática da minha vida tem que ser, definitivamente, revista). 

Dizem eles que passaram 15 anos desde que estivemos todos juntos. Nem quis acreditar! Foi no casamento do Nuno. Quinze anos é tanto tempo como os anos da vida do meu mais velho. Caramba! É muito tempo. Ainda assim, mesmo sendo um clichê, é a pura verdade. Bem podia ter sido ontem, pelo menos a festa foi como se ainda o fim de semana passado tivessemos estado todos juntos ( bem, na verdade, no dia a seguir, o corpo fez questão de me lembrar o motivo porque se diz que são 40, os anos que temos). Até a viola, desceu do pedestal onde tem estado esquecida, e levou uma “coça” como não levava há “c’anos” .  Finalmente bebemos o vinho “oscarizado” e matámos as saudades. Só não pusemos as conversas todas em dia, porque 15 anos de conversa é muita conversa e nós temos sempre assunto para conversar. A sensação é que ficaram as conversas todas a meio, mas havia tanta coisa para dizer e para contar, que fez-se manhã e nem demos por isso. Memorável, como quando ainda tínhamos os sonhos todos pela frente… ainda temos, pelos vistos. Não, não! prometo corrigir a equação. Da próxima vez, não daqui a tanto tempo, já vou conseguir pegar na viola outra vez e sacar de lá as músicas que compus naquele tempo – devem andar por aí escritas nalgum caderno velho, letra e música -agora já tenho o Rodrigo para me passar aquilo para pauta; não vamos desafinar no Rancho Fundo, o Bob Marley vai saber a letra toda de cor outra vez e têm que haver mais medalhas nas garrafas ( muitas mais, que o vinho é mesmo bom) que como facilmente se comprovou, só aquelas não chegam – isso e as garrafas que afinal o “magano” do “Celta” sempre era pouco – nem sequer chegámos à parte do fado.Ehehehejejeheheheh, é tão bom sentirmo-nos verdadeiramente compreendidos. 

A amizade é a melhor coisa da vida! 

O primeiro dia de praia do ano 

Há imagens que valem mil palavras. 

É sempre assim o primeiro dia de praia do ano, chego a esta hora exausta mas com uma sensação de felicidade que me leva sempre a questionar: porque é que não comecei a ir mais cedo? 

Invariavelmente sei a resposta. Praia, para mim, só com o devido calor. 29° parecem-me bem, muitíssimo bem. Amanhã há mais. 

( e a corzinha dela a confundir-se com a areia ? )