Um até sempre

Dita-me a minha consciência o dever de prestar a última homenagem e de vos comunicar o falecimento do meu primo José Raposo Nobre que mantinha há vários anos o blogue Viver Alvalade.  Com os seus 88 anos, o primo José, de espírito jovem, actualizava frequentemente o seu blogue dando conhecimento aos Alvaladenses e portugueses espalhados pelo país e pelo estrangeiro as novidades deste canto do Alentejo. 

Quando escreveu o seu último post há 6 dias, estava longe de imaginar que seria o último. Ele e nós.

 Apesar de casado com uma prima minha foi através da blogosfera que melhor o conheci. Fã da minha poesia, sempre que me encontrava insistia para que voltasse a escrever poesia, lembrando-me sempre que o meu livro era o seu livro de cabeceira. 

Não deixou nunca que as novas tecnologias o assustassem e usou-as para se aproximar de nós e do mundo. Um exemplo para a sua geração e para a minha. 

Hoje a blogosfera ficou mais pobre, eu fiquei mais pobre, a minha família ficou mais pobre, Alvalade e o Alentejo ficaram mais pobres. Porque são necessárias as pessoas que nos ligam às nossas raízes, às nossas tradições. São elas que nos lembram o que somos e evitam que sejamos engolidos pela globalização.

Um até sempre meu primo e bem haja por todo o incentivo que sempre me deu. 

O senhor o receba na luz da sua presença

Cortar a corrente…

Provavelmente vou ser apenas mais uma e uma sem importância a falar sobre ti e a querer prestar – te uma homenagem. De que valem as palavras de quem apenas só te conheceu o trabalho. (?)

São certamente o grupo português que mais vi ao vivo. Era deles o último álbum que possuí em Vinil (” dizer não de vez ” com a impressionante chuva dissolvente, uma das minhas favoritas) é deles um dos álbuns que marcou a minha vida e um dos que mais gosto ( ao vivo na antena 3 – a rádio da minha juventude) . 

O homem do leme é sem dúvida inesquecível para mim mas escolhi para o meu tributo a esta grande perda da música portuguesa uma canção que muito poucas vezes se ouve na rádio, mas que a letra diz tudo sobre a minha geração. 

Até sempre Ze Pedro, mesmo sem te ter conhecido fizeste parte de um tempo inesquecível e muito importante para mim…

Tudo o mais que disser redundará em silêncio.