Com um sorriso no rosto


Amanhã é dia de praia. Anseio por uma daquelas manhãs de maré rasa. Por poder caminhar e tomar banho e tirar fotos e fazer de conta que o tempo não passa, que ainda sou a mesma menina que aprendeu a nadar naquela maré rasa, entre brincadeiras e vontade de enfrentar o desconhecido. 

São essas manhãs e as tardes, em que o sol se perde para lá do horizonte, enquanto eu, estendida na toalha, ouço o marulhar das ondas, que me fornecem o combustível que permite energia para enfrentar anos inteiros de uma vida completamente desarrumada, com tudo fora do lugar.

 É preciso muito combustível para vencer a inércia que muitas vezes me aborrece. É nos dias de praia que a coragem e a vontade se acumulam para enfrentar o que tiver que ser. Amanhã quero que seja um desses dias. 

As fórmulas mágicas da felicidade 


Não sei se é dos quarenta. Afinal talvez estejamos mesmo num tempo de ternura, de dar ainda mais valor ao que é realmente importante. 

Chegaram-me de surpresa! A desculpa era que a Mónica tinha uma coisa muito importante para dizer. A caminho de outra cirurgia, que o Lupus deixou de lhe dar descanso há algum tempo, as conversas sérias da Mónica são para levar a sério. Marcou-se um jantar à pressa – pode ser cá em casa que eu até gosto de receber – quem vem e quem não pode vir – as do costume que se plantaram na terrinha e aqui crescem ( essencialmente para os lados) e se reproduzem – autênticas árvores, que pouco ou nada arrancam daqui desde que a crise se instalou nas carteiras – mais eu, vá, que entre os filhos, a profissão, o bornout e a economia, sobra pouco tempo e ainda menos vontade para grandes festanças ( cada vez me convenço mais que esta fórmula está errada em algum lado e ainda não consegui perceber onde. Esta matemática da minha vida tem que ser, definitivamente, revista). 

Dizem eles que passaram 15 anos desde que estivemos todos juntos. Nem quis acreditar! Foi no casamento do Nuno. Quinze anos é tanto tempo como os anos da vida do meu mais velho. Caramba! É muito tempo. Ainda assim, mesmo sendo um clichê, é a pura verdade. Bem podia ter sido ontem, pelo menos a festa foi como se ainda o fim de semana passado tivessemos estado todos juntos ( bem, na verdade, no dia a seguir, o corpo fez questão de me lembrar o motivo porque se diz que são 40, os anos que temos). Até a viola, desceu do pedestal onde tem estado esquecida, e levou uma “coça” como não levava há “c’anos” .  Finalmente bebemos o vinho “oscarizado” e matámos as saudades. Só não pusemos as conversas todas em dia, porque 15 anos de conversa é muita conversa e nós temos sempre assunto para conversar. A sensação é que ficaram as conversas todas a meio, mas havia tanta coisa para dizer e para contar, que fez-se manhã e nem demos por isso. Memorável, como quando ainda tínhamos os sonhos todos pela frente… ainda temos, pelos vistos. Não, não! prometo corrigir a equação. Da próxima vez, não daqui a tanto tempo, já vou conseguir pegar na viola outra vez e sacar de lá as músicas que compus naquele tempo – devem andar por aí escritas nalgum caderno velho, letra e música -agora já tenho o Rodrigo para me passar aquilo para pauta; não vamos desafinar no Rancho Fundo, o Bob Marley vai saber a letra toda de cor outra vez e têm que haver mais medalhas nas garrafas ( muitas mais, que o vinho é mesmo bom) que como facilmente se comprovou, só aquelas não chegam – isso e as garrafas que afinal o “magano” do “Celta” sempre era pouco – nem sequer chegámos à parte do fado.Ehehehejejeheheheh, é tão bom sentirmo-nos verdadeiramente compreendidos. 

A amizade é a melhor coisa da vida!